sábado, 18 de dezembro de 2010

Patria Minha!

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

Texto extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sorria!

"Você não pode ensinar nada a um homem; você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo." (Galileu Galilei).

Muitas pessoas com o passar do tempo devido a coisas ruins e experiências tristes acabam deixando de sorrir para a vida. Sim, por incrível que pareça para muitas a graça vai se acabando até o ponto que não resta mais nada de bom para se fazer e que a pessoa não consegue enxergar nada de melhor em sua vida. A vida pode não ser perfeita, mas sem dúvida é bem melhor viver com brilho nos olhos e a alma leve do que passar a ser um zumbi, uma pessoa que apenas existe porque viver mesmo não consegue. Por mais problemas que uma pessoa possa ter, o que faz com que a vida perca a graça é a perda da auto-estima. Por mais que se esteja no fundo do poço, é necessário pensar positivo e se valorizar. Algumas coisas você pode fazer por si mesmo que poderão ser de ajuda na recuperação de sua auto-estima e amor próprio. Por exemplo, uma pessoa quando está querendo sair de uma fase ruim precisa mudar, e por que não começar a fazer isso pela sua aparência? Se começar a mudar suas roupas, mudar seu corte de cabelo, e mais alguma coisa que ache necessária e esteja dentro de seu alcance com certeza se sentirá mais confiante. Mas voltar a sorrir para a vida não pode ser uma coisa que é feita por simplesmente a parte exterior estar em forma e com bela aparência, mas é preciso trabalhar o seu interior para saber onde é preciso fazer mudanças. Faça uma faxina na sua alma e assim como em casa, jogue fora tudo aquilo que é lixo que tem habitado seu coração. Procure mudar de amigos caso o seu circulo de amizades não sejam com pessoas que são positivas. Voltar a sorrir para a vida é possível, desde que seja isso o que você realmente quer.

Podia falar da importância de sorrir no processo de libertação das endorfinas e dos mecanismos que desencadeia algumas reações fisiológicas, de que acionamos 72 músculos para franzir a testa e apenas 14 para sorrir (no mínimo rejuvenesce) e outras teorias, mas não me interessa muito dissecar algo que é sempre melhor sentir em sua plenitude.

Você já percebeu que a maioria dos sorrisos começa perto de outro sorriso!
O sorriso é uma das características que nos distingue. Um simples sorriso pode deixar-nos tão felizes... Incutir-nos esperança, ajudar-nos a sonhar e a vencer os obstáculos diários que a vida teima em colocar enviesados em nosso caminho, enfim, um sorriso espontâneo, caloroso, sincero digno da expressão de contentamento, contagia-nos e transporta-nos para outra dimensão... Um sorriso pode ser um salubre remédio contra aqueles dias cinzentos, o sustentáculo da felicidade que queremos alcançar...

O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma; é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe é íntimo. É por isso que o homem é o único animal que sorri, e como é dotado de inteligência e vontade pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo quando as coisas não corram tão bem – tudo se resume à harmonia interior.

Sorrir é no mínimo um ato de respeito e empatia com o próximo, pois através dele reconhecemos o outro como pessoa. Com um sorriso sincero podemos mudar o mundo, colocando o amor, respeito, autoconfiança e esperança no centro da vida humana ao invés do egoísmo ou o interesse pessoal.

O poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo de muito importante. Antoine de Saint-Exupéry diz: "No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele".

A atração do sorriso é indiscutível, onde há alguém sorrindo sempre haverá alguém por perto. O sorriso é algo que pluraliza e multiplica as relações. Ao contrário, quando se aproxima de alguém com a expressão facial séria, normalmente os filhos entram para os seus quartos, ou colaboradores não saem de seu ambiente de trabalho e a conversa pára por ali. Desnecessariamente ninguém se aproxima de alguém com a face séria ou que pareça estar aborrecido com algo, se o sorriso atrai, ao contrário pode-se dizer que sua falta repele.

Mesmo quando a vida está sendo dura; mesmo sendo difícil, é preciso sorrir.

Vivemos sempre tão ocupados que mal olhamos para as outras pessoas, mesmo aquelas que nos são caras, mesmo as de nossa família; mal olhamos para nós mesmos. A sociedade está organizada de tal modo que, mesmo tendo tempos de lazer, não sabemos aproveitá-lo para entrar em contato conosco.

Inventamos milhares de formas de desperdiçar esse tempo precioso: ligamos a TV, falamos ao telefone, saímos á esmo de carro para ir a qualquer lugar e com isso vamos nos afastando de nós mesmos cada vez mais.

A princípio você pode achar difícil sorrir, e nesse caso deve considerar o porquê. Sorrir significa nossa essência, que estamos sendo nós mesmos, que estamos tendo soberania sobre o nosso destino, que não estamos mergulhados no esquecimento interior.

Ludwig Wittgenstein, que muitos consideram o filósofo mais profundo do século XX em uma das suas Investigações Filosóficas disse "Uma boca sorridente só sorri num rosto humano". Neste caso o humano não se refere á espécie, mas ao lado despojado das mascaras, falsidades e interesses, á total honestidade de sentimentos. Não existem falsos sorrisos, estes se comparam as dentaduras ou implantes de cabelo, pois, são facilmente reconhecíveis pela sua artificialidade.

Em 1967, um jovem investigador, Paul Ekman, fez uma pesquisa exaustiva sobre o sorriso. Chegou à conclusão que no ser humano, a mímica é produzida por 42 músculos faciais e que existem 19 maneiras diferentes de sorrir, mas apenas uma única forma é verdadeira.

O sorriso ilumina a alma, pois permite que a luz penetre na escuridão interior que cada um de nós carrega em um pedaço do seu ser, ajudando assim a diminuir as sombras e medos interiores.

Voce já observou o quanto às crianças sorriem, em qualquer local ou para qualquer pessoa que se dirigem sempre estão sorriso. Do mesmo modo observe como as pessoas depois de adultas ainda sorriem despretensiosamente para os cães e as crianças, parece que ainda existem resquícios em nossos corações para alimentar este sorriso espontâneo.

Mas você deve estar se questionando: Será que esse cidadão mora no mesmo mundo do que eu? Ou em algum mundo paralelo junto com a Alice, o Gato Risonho, a Lagarta, Lebre Maluca e o Chapeleiro Louco da obra "Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carroll. Em que mundo eu estou vivendo? Será que é o mesmo mundo que o resto das pessoas?

Como será possível alguém sorrir perante os sofrimentos da vida? Quando somos vitimados por doenças graves ou acidentes que nos mutilam?
Como sorrir quando o desemprego bate a sua porta, causando transtornos financeiros?
Como sorrir diante da morte de um parente querido ou um amigo íntimo?
Como sorrir, quando somos incompreendidos no meio em que vivemos, dentro do próprio lar, nos ambientes de trabalho?

Segundo a yoguine indiana Dadi Gulzar, se você quiser trazer amor e equilíbrio em sua vida, em seus relacionamentos e em seu mundo, procure manter a meta de praticar três coisas com as pessoas que encontram durante o dia, sejam membros da família ou colegas de trabalho. Primeira sempre encontrá-las com um sorriso na face. Todos vocês sabem como sorrir? Mesmo se alguém estiver com alguma atitude de raiva ou agressividade, ainda assim procurem manter o seu sorriso. Procurem aquietá-lo com um sorriso bastante pacífico. Não reajam, apenas sorriam e acalmem essa pessoa que está irritada. Isto irá ajudá-la. Segunda coisa é sempre dar felicidade a quem vocês encontrarem e terceira é manter seu coração feliz. Observe que as duas ultimas metas derivam da primeira, se voce não conseguir praticar a primeira meta, será praticamente impossível atingir as demais, enfim o sorriso é o segredo, afinal o segundo o ditado popular "O sorriso é o espelho da alma".

O técnico Koide Yoshio, da maratonista japonesa Takahashi Naoko, que conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney em 2000, ensinou a maratonista o seguinte: "Nunca faça cara feia, treine sorrindo". Sempre que se deparar com algum sofrimento, sorria para ele. Pense que poderia ser pior e agradeça por isso. Caso contrário estará inibindo as suas qualidades e possibilidades de superação. O melhor de você só poderá ser extraído dentro de um estado harmônico criado pelo sorriso, jamais de um modo carrancudo, tenso ou embravecido.

O Sorriso é a expressão mais bonita que o ser humano tem, nos traz forças e esperanças, é linguagem universal, tem reflexos por toda parte.

Aceitar ou não é uma questão de opção, mudar ou não é uma questão de querer, fazer ou não é uma questão de atitude.

Sorrir é uma questão de atitude, depende exclusivamente de você.

enviado por Clélia W. Sandei

domingo, 5 de dezembro de 2010

Berçário de estrelas


 Há parcerias que tem tudo para deixar o mundo um pouco melhor. Conheci uma dessas: acontece no interior de São Paulo, envolve iniciativa privada, poderes públicos e ongs, e está criando raízes em todo o sistema responsável pelos primeirios passos de desenvolvimento da vida humana - aqueles dados antes do parto e até os 3 anos de idade.
A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (fundação privada, de origem familiar – coisa infelizmente rara no Brasil) articulou prefeituras de seis cidades para plantar uma verdadeira revolução no atendimento a uma população que é de quase 70 mil crianças.


Nesta faixa etária – o ciclo do chamado “desenvolvimento infantil” – as crianças são normalmente negligenciadas pelas políticas públicas, mas para a neurociência é nesse período da vida que se estabelece 90% das sinapses cerebrais. “Isso quer dizer que é quando ela constrói o arcabouço cognitivo que lhe permitirá aprender e interagir, ou seja, entender o mundo e se relacionar com os seus semelhantes” – afirma Andrea Wolffenbüttel , gerente de comunicação da fundação.
Em dias nos quais canhões blindados tentam resolver a omissão política de décadas e quando os brasileiros se perguntam sobre onde nasce tanta tendência à criminalidade, não é nada demais lembrar que o investimento nos primeiros anos de vida favorece o desenvolvimento infantil especialmente em seus aspectos emocionais e minimiza os riscos de dificuldades psicossociais do indivíduo ao longo da sua vida.
Esta é uma das maneiras – talvez a mais estratégica - para a redução de problemas sociais tais como baixa aprendizagem, violência e droga adição, entre outros. É nestes primeiros anos que formamos uma gente que é pra brilhar e não pra morrer (ou matar) de fome. É neste ciclo que as condições de vida devem ser um berçário de estrelas – para tomar do Cosmos o que precisamos aprender a fazer na Terra. 
Leia a íntegra do artigo em Berçário de estrelas (Blog do Noblat)
Geraldinho Vieira é jornalistaClaudius é chargista

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Henrique Martin, jornalista.

Quero parabenizar o meu amigo Henrique Martin.
Seu Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, apresentado nesta quinta-feira, 02 de dezembro de 2010, foi brilhante.
Um videodocumentário de 15 minutos, chamado "O Condomínio dos Sonhos", sobre famílias alojadas por 8 anos num cortiço, resumiu com brilhantismo, o desprezo e o esquecimento do poder público pelos anônimos: cidadãos que, como todos nós, são manupulados por promessas quase nunca cumpridas.
A parte mais importante do TCC apresentado pelo grupo do qual Henrique fez parte, foi a mobilização e a efetiva solução de um problema.
Se o jornalismo tem uma missão, eu diria que é mostrar às pessoas os problemas e a realidade. Tornar público aquilo que as autoridades constituídas querem esconder, quase sempre.
Quando o público, as pessoas comuns, os cidadãos passam a ter conhecimento da realidade, só assim e, com cobranças efetivas, os problemas passam a serem resolvidos.
Foi isso que Henrique Martin, agora jornalista, fez. Ao mostrar a realidade de um problema social, mobilizou a sociedade civil e o poder público para a busca adequada da solução, o que acabou acontecendo.
Ao jornalista Henrique Martin, meus sinceros parabéns! Estou orgulhoso de você.
Um grande abraço do seu amigo Renato Violardi.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sem um rumo. Sem um norte.

A prefeitura de Cabreúva, definitivamente, perdeu os rumos e as rédeas da administração do município.
Além dos inúmeros processos pendentes de julgamento no Tribunal de Contas do Estado, sobre irregularidades dos gastos públicos e da recente condenação por concorrência e contrato irregular da merenda escolar (TC-24789/026/07 http://www2.tce.sp.gov.br/arqs_juri/pdf/101054.pdf ), o prefeito Cláudio Giannini enfrenta dois processos de crime de responsabilidade, um denunciado pelo Vereador Oliveira e outro pelo Ministério Público (TJ 100.01.2010.001837 e 100.01.2010.002539).
Tudo isso parece ter afetado o que já era ruim - a administração do município - e tornou ainda pior.
Nota-se o descontentamento generalizado dos setores organizados do município com a falta de pulso e rumo da prefeitura.
A recente reativação da Associação de Moradores do Vale Verde, com cobranças justas dos moradores daquele bairro, levantaram as primeiras preocupações daquilo que a prefeitura mais teme - as cobranças de melhorias.
Mais recentemente ainda, um grupo que reúne aproximadamente 50 empresários e comerciantes do centro do município, resolveram criar uma associação, que já nasceu forte e unida, para a reividicação de melhorias e estruturação ao turismo e consequente aumento da atividade comercial, começando pela área de segurança, não só do comércio, mas de todo o centro do município.
Na última sessão da Câmara Municipal, na votação de um projeto enviado pela prefeitura, a própria base de sustentação do prefeito se viu perdida e, sem qualquer explicação, aceitou o adiamento do projeto para o ano de 2011, sem uma única manifestação do líder do prefeito e dos vereadores da situação.
Isso demonstra a letargia que atingiu os defensores de Claúdio Giannini.
Será na sessão da Câmara do dia 08 de dezembro, a votação sobre a futura presidência da nossa Casa de Leis no biênio 2011-2012.
O grupo de oposição, hoje, tem maioria, com 5 membros - Henrique Martin, Marcelo Defendi, Lurdes Santi, Célia Donato e Samuel Oliveira.
Certamente, o próximo presidente será o vereador Henrique, já que é esse o desejo da maioria.
A prefeitura então, cairá em sí e, do pior modo, entenderá a importância da Câmara Municipal, indo em confronto ao que sempre pregou o prefeito Cláudio Giannini - de que não precisa nem depende da Câmara para nada.
Tudo isso demonstra que a administração está sem um rumo, sem um norte. Essa falta de direção é a grande arma para a eleições de 2012, quando, se espera, Cabreúva possa finalmente encontrar sua tão sonhada vocação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Presidenta

Depois da pior campanha presidencial desde a redemocratização do país, temos um novo presidente, ou melhor, uma presidente: Dilma Vânia Rousseff.
Para a maior parte dos analistas de plantão, o Brasil mostrou amadurecimento democrático, elegendo a primeira mulher presidente da nossa história.
Sinto muito, mas não concordo.
Amadurecemos democraticamente, sim, mas não pelo fato de o país ter eleito uma mulher para a presidência.
O fator principal desta eleição, em minha modesta análise, foi a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Qualquer candidato que tivesse o apoio e a colaboração de Lula, seria eleito.
Não tiro os méritos de Dilma, apesar de não conhecer seus méritos como, acredito, quase ninguém no Brasil os conheça.
Ser mulher, me perdoem as feministas, não foi um quesito principal desta campanha, nem do plano de governo da então candidata.
Meu voto não foi de Dilma, apesar de já ter pertencido aos quadros do Partido dos Trabalhadores. Votei em José Serra, não preciso esconder e, já que o voto é meu, posso dizê-lo sem cometer qualquer crime.
Votei em Serra por, principalmente, conhecer seu trabalho frente a administração pública. Não concordo com tudo o que fez, ou deixou de fazer, pelo funcionalismo público, principalmente pelos professores mas, devo admitir, possuo uma profunda admiração pelo seus métodos e conhecimentos profundos do país.
A melhor análise desta eleição, em minha opinião, foi escrita pelo jornalista e economista Luis Nassif.
Nassif aprofundou-se sobre o olhar e a forma de entender o povo dos dois candidatos à presidência. Enquanto a população via no candidato José Serra um político preocupado com a estabilidade da economia e a revalorização da ética, a mesma população via a candidata Dilma Rousseff como escolhida pelo presidente que soube entender os pobres e as suas reais necessidades.
Entender o país não bastou a Serra. O que ele não entendeu foi como o povo entende o Brasil
A análise de Nassif é muito longa e profunda. Sugiro uma leitura atenta pois, é uma verdadeira aula de política.
Serra perdeu a eleição.
Dilma ganhou. Governará o país e será nossa presidenta pelos próximos quatro anos. Como qualquer brasileiro que ama nosso país, desejo-lhe boa sorte.
Pelo bem do Brasil!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ética Profissional é compromisso social

O texto abaixo foi gentilmente enviado por uma querida amiga e fiel leitora deste blog e, acredito, mereçe uma grande atenção pela mensagem aos profissionais de todas as áreas.

"O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva; o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos; o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia; a atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro; o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa; o engenheiro que utiliza o material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo de forma eticamente correta em suas profissões. Ao fazerem o que não é visto, ao fazerem aquilo que ninguém saberá quem fez, demonstra que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais, com as pessoas."


Rosana Soibelmann Glock, psicóloga, fisioterapeuta, Mestre em Gerontologia Biomédica - Bioética/Ética em Pesquisa. Endereço eletrônico: rglock@pucrs.br

José Roberto Goldim, biólogo, Mestre em Educação, Doutor em Medicina: Clínica Médica - Bioética/Ética em Pesquisa. Endereço eletrônico: goldim@orion.ufrgs.br

Publicado na Revista Mundo Jovem, em abril de 2003